quinta-feira, 25 de outubro de 2012

EUVÍ: Alberto Fujimori, um presidente punido e o japonês que mudou o Peru

podcast




Alberto Fujimori, ou simplemente Chino, como é conhecido pelos peruanos, é um agrônomo e político peruano de descendência japonesa. Por sinal, Fujimori foi o primeiro descendente de japoneses a ser eleito chefe de Estado fora do Japão.



O pequeno Fujimori teria ou nascido em Lima em 1938 ou teria sido trazido ao Peru ainda pequeno, por seus pais em busca de melhores condições para viver.

Fujimori sempre foi uma pessoa muito disciplinada e estudiosa, tendo cursado agronomia e posteriormente fez mestrado nos Estados Unidos. Com o passar de sua vida, teria nascido em Fujimori o sentimento de servir o país que o acolheu. Foi então que ele teria começado a frequentar programas políticos na TV e se candidatou para presidente pelo movimento Cambio 90 em 1990.



No início, sua candidatura só era apoiada por um pequeno número de empresários e de algumas igrejas evangélicas, mas com o decorrer da campanha sua candidatura foi gradativamente abraçada por toda a população.

Um dos motivos da ascenção de Fujimori foi o desgaste dos políticos tradicionais peruanos, somado a uma crise econômica e à ameaça do grupo terrorista Sendero Luminoso.

Uma vez eleito, Fujimori pegou um país destruído e não viu opção senão sufar na onda neoliberal que circulava na época e restaurar a economia peruana com fortes medidas de austeridade, conhecidas como Fujishock.

Resolvidas as mazelas econômicas, Fujimori tentou resolver o problema do terrorismo, no entanto, seu partido não tinha maioria no congresso para que ele pudesse implementar as medidas necessária.

Num ato de coragem, Fujimori proclama um auto-golpe com a ajuda dos militares, destituindo assim o congresso e podendo atuar como quisesse para erradicar o terrorismo.



A oposição se fragiliza depois do golpe, o partido FREDEMO é dissolvido e o líder do partido APRA, Alán Garcia, se exilou na Colombia. Nas eleições constitucionais para o congresso, ambos os partidos de oposição se recusam a participar, deixando Fujimori com uma maioria confortável. Essa eleição promulgou a nova constituição peruana.

Com medidas controversas, Fujimori conseguiu encurralar o Sendero Luminoso, reduzindo sua influência no país.



Se o Peru ia caminhando numa direção melhor, o mesmo não se podia dizer da vida familiar de Fujimori, sua mulher Susana se rebelou contra ele, o acusando de corrupção e concorrendo contra ele na eleição presidencial de 1995.

Fujimori conseguindo a reeleição com alta aprovação popular não teve problemas para eleger uma bancada majoritária no congresso, que como primeiro ato,deu anistia a todos os militares que tivessem cometido abusos contra os direitos humanos de 1980 a 1995.



Fujimori começou a tomar decisões muito autoritárias quanto a liberdade de expressão e de imprensa. A ligação de Fujimori com o corrupto chefe de inteligência Vladimiro Montesinos começou a cada vez mais investigada.
Fujimori teria se envolvido na esterelização de mais de 300.000 mulheres indígenas no seu governo como resultado de seus programas de planejamento familiar.







Durante seu segundo mandato, Fujimori além de ter assinado vários tratados com países vizinhos, teve de lidar com um conflito com o Equador e com o ataque à embaixada japonesa por um grupo terrorista.

A resposta de Fujimori à tomada da embaixada foi bem sucedida, tendo as forças especiais matado todos os terroristas. A popularidade de Fujimori cresceu, dando a ele a viabilidade de conseguir um terceiro mandato.



Fujimori fez com que o congresso votasse uma lei que reinterpretasse a constituição para que ele pudesse ser eleito como se estivesse se candidatando pela segunda vez, uma vez que o seu segundo mandato seria reinterpretado como o primeiro e o seu primeiro mandato seria desconsiderado pelo fato de ter sido cumprido antes da promulgação da nova constituição.

Com a sua terceira eleição sendo vencida por uma margem menor que as anteriores, Fujimori começou a sofrer ataques devido ao seu envolvimento com o escândalo de corrupção que alvejava seu chefe de inteligência Vladimiro Montesinos.

Se vendo acuado e vendo que ia se prejudicar de verdade, Fujimori foi para uma conferência em Brunei e entregou o pedido de renúncia por fax, posteriormente pedindo axilo político no Japão.

No Japão, Fujimori se candidatou ao Senado, sendo miseravelmente derrotado. Ao mesmo tempo, era julgado e incriminado de vários crimes no Peru.

Fujimori resolveu ir ao Chile tentar articular um retorno político ao Peru, porém a justiça do Peru o entregou para as autoridades peruanas, onde ele foi julgado, condenado a 25 anos de prisão e preso desde então.



A fillha de Fujimori, Keiko Fujimori concorreu a presidência peruana em 2011, tendo chegado ao segundo turno e perdido para o atual presidente peruano Ollanta Humalla. Durante a campanha, Keiko negou que daria um indulto ao pai, mas agora que perdeu, tem intercedido um pedido de indulto junto ao presidente devido à saúde do pai.

Atualmente, Fujimori estaria doente com câncer de boca prostrado numa cama de hospital clamando por um indulto que seria a maior prova de gratidão que o povo do Peru poderia dar a um presidente que fez tudo o que podia e o que não podia para sanar as mazelas do povo peruano.

Se o presidente Ollanta Humala não descarta oferecer o indulto a Fujimori, 6o% da população do Peru é a favor do indulto, mas apenas 24% seria a favor de sua volta a vida política.

Para mobilizar a população, a família de Fujimori teria liberado uma foto dele encamado nas redes sociais e uma pintura que ele teria pintado mesmo enfermo, na pintura, ele pediria desculpas pelo que não conseguiu fazer e pelo que não conseguiu evitar.



Nunca um presidente encontrou um país com tantos problemas e o deixou com tantos resultados positivos, a marca do fujimorismo ainda se mostra viva na política peruana. Fujimori não teve nenhum pudor de fazer tudo o que poderia fazer para melhorar o Peru, mesmo que para isso tivesse que apelar para suas características autoritárias e corruptas.

Fujimori foi o único chefe de Estado a erradicar o terrorismo e a ressuscitar uma economia com índices de inflação altíssimos. Para isso, usou sua disciplina e firmeza característica do povo japonês,

Essa é a história de Alberto Fujimori, o maior nome da política do Peru, o único nipo-descendente a se tornar presidente fora do Japão e o único chefe de Estado a eliminar o terrorismo de uma nação que o condenou por corrupção.

Nenhum comentário:

Postar um comentário